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Som grave e sua equalização

05 Fev

Som grave. Como equalizar.
Autor: Fernando A. B. Pinheiro

Um rapaz veio dizer que “ama” quando ouve um “pancadão”. Tipo esses carros de playboys, que ligam o som alto e praticamente só se ouve “bum-bum-bum” característico da batida grave da música. Que quando ouve um grave bem forte, desses que faz tudo tremer, “eu me amarro” nas palavras dele. Na igreja, o contrabaixo é o seu instrumento preferido, assim como a bateria, e gosta de tudo bem alto. woofer_a3
Isso é questão de gosto, respondi. Eu prefiro os agudos. São os sons que ajudam na questão de inteligibilidade, são os responsáveis pela clareza e definição do que ouvimos. Mas não posso negar que um grave bem profundo (subgrave) “mexem” comigo e com toda a população de modo geral. Fiquei curioso, e quando estiver com um médico vou perguntar, pensei. Meu filho teve que ir à uma fonoaudióloga, e aproveitei para perguntar isso para ela. Descobri então que existe uma explicação biológica para esse fato. Os sons graves realmente “mexem com as pessoas”.
Ela respondeu o seguinte: os sons graves são ouvidos no ápice da cóclea. Traduzindo: lá no fundinho do órgão que transforma o som em sinais para o cérebro. O ápice é ligado ao labirinto (responsável pela nossa sensação de equilíbrio, por isso que problemas no ouvido causam tonteiras) e este é ligado ao cerebelo, que controla nossas funções básicas: respiração e batimento cardíaco, independente da nossa vontade.
Os sons graves são poderosos, sendo que abaixo de 60Hz são praticamente mais sentidos que propriamente ouvidos. Dão a sensação de “peso”, “poder” à música. Essas vibrações são tão fortes que atingem o cerebelo , e ocorre uma alteração na frequência cardíaca da pessoa: o coração passa a bater no ritmo da batida do grave (que corresponde ao ritmo da música), e isso libera endorfinas, substância produzida no cérebro que nos dá uma sensação de bem estar. Por isso que existe uma preocupação tão grande em sonorização ao vivo com os sons graves e principalmente subgraves. São sons “gostosos”, que devem estar presentes na reprodução sonora.
Só que graves e subgraves são difíceis de serem reproduzidos. Exigem movimentações de grandes quantidades de ar, e isso exige alto-falantes grandes, potentes e caros, amplificadores também potentes e caros. E por uma questão fisiológica, só ouvimos certos sons graves quando o volume está bem alto, a partir de 80dB, sendo que quanto maior o volume, melhor ouvimos os graves. Ou seja, realmente não dá para ouvir o “pancadão” sem incomodar os vizinhos.
Os sons subgraves tem características interessantes:

– eles precisam de woofers grandes – 12″, 15″ ou 18″. Quanto maior o woofer, mais perto de 20Hz ele responderá (à exceção de falantes especialmente desenhados para frequências graves). Existem caixas especializadas nisso – os famosos subwoofers, ou simplesmente sub´s.
– precisam de muito volume para serem percebidos por nossos ouvidos (80dB ou mais)
– são ondas ominidirecionais, se espalham por todo o ambiente onde forem reproduzidas, até mesmo para trás da caixa acústica;
– são dificilmente absorvidas e facilmente refletidas. Superfícies lisas (vidros, paredes, etc) atuarão como um espelho, refletindo todos os graves e subgraves;
– em locais fechados, costumam ter volume menor próximo às caixas de som e maior quando se está mais afastado. Quando estamos longe da caixa, ouvimos além da onda sonora original também as reflexões.

Mas como isso se aplica à uma igreja? Primeiro de tudo, precisamos saber quais são os instrumentos musicais que conseguem reproduzir essas faixas de frequência. Se analisarmos uma tessitura musical – um mapa que mostra diversos instrumentos musicais e suas respostas de frequência, veremos que poucos instrumentos “falam” abaixo de 80Hz. São eles: o contrabaixo (baixo), o piano, o teclado de 7 oitavas ou mais, trombone, o violoncelo. A bateria também tem no bumbo um forte reprodutor de graves profundos. Quanto às vozes, pessoas que conseguem reproduzir menos de 100Hz são raríssimas
(mesmo os baixos). Então, se na sua igreja não tem nenhum dos citados acima, meus parabéns. As caixas de som serão menores, o gasto com equipamentos será menor, os problemas de acústica serão menores (em geral, são os graves que “embolam” o som, por causa das suas características de serem ominidirecionais e pouco absorvidos). Enfim, a vida do operador de som será mais simples. Assim como o louvor, que será mais simples e todos sempre terão a impressão de que “está falanto algo”.
Mas se na sua igreja os instrumentos citados acima existem e são valorizados, e o público da igreja gosta do “pancadão”, então não economize. Compre uns sub´s potentes e consiga um crossover para dividir as frequências. Algumas mesas de som já vem com saída para subwoofers. Existem até alguns periféricos, como equalizadores que tem uma saída para graves, exatamente para alimentar um subwoofer. Até alguns subwoofers já vem com o crossover interno.
Por causa das características dos sons graves, os sub´s podem ficar em apenas um lugar da igreja (em geral, lá na frente) e seu som alcançará todo o templo. Podem ser instalados no chão mesmo* (um sistema comum são as caixas de médios e agudos no alto e os subwoofers no chão). Mas lembre-se de fazer o alinhamento das caixas. Os subs devem estar na mesma linha vertical das caixas de médioagudos (exatamente embaixo delas), e não recuados ou adiantados em relação à elas.
* na verdade, encostado no chão ou no teto. Os subwoofers chegam a ganhar 3dB de volume por estarem próximos a uma superfície refletora.
Mas se sua igreja é relativamente pequena, o dinheiro para investimentos em sonorização anda curto, a bateria não é microfonada e o único dos instrumentos citados acima que existe é um contrabaixo elétrico, as coisas podem ser mais simples. O macete aqui é ter caixas simples para o PA e um cubo para o contrabaixo. O cubo será o seu subwoofer. Nem precisa colocar o baixo na mesa de som (e nas caixas do PA), o som do cubo se espalhará e atingirá a todos no ambiente. Característica dos graves.
É uma solução boa pois atende os baixistas (que controlarão seu próprio volume e regulagem – mas precisa ser educado para evitar exageros), ao operador de som (menos uma coisa para cuidar) e a igreja (terá o grave que deseja, mas sem gastar muito em equipamentos). As caixas do PA serão menores (woofer de 10″ ou até mesmo 8″ são suficientes para voz e a maioria dos instrumentos) e mais baratas, mas não se perderá em nada a qualidade sonora.
Essa solução poderá ser adotada mesmo em ambientes grandes. O Anfiteatro em que trabalho (5.000 pessoas), por exemplo, tem uma acústica muito ruim. Muitas paredes, muito vidro, quase uma caixa de sapato. Lá, deixamos o baixo fora da mesa de som, ligado apenas ao seu cubo. Os graves são perfeitamente audíveis dentro de todo o local. Claro que cada caso é um caso, e experimentações (testes, testes e mais testes) são sempre bem vindos.
Cuidado com o público da igreja! Jovens gostam mais de sons graves que os idosos. Pessoas idosas tem uma deficiência natural na percepção de sons agudos, e os graves podem deixar o som “embolado” para elas. Assim, cultos voltados para jovens podem ter mais “peso” que o público vai gostar. Mas é melhor “segurar a mão” no caso de reuniões onde há a presença de público misto, e evitar a presença de subgraves nas reuniões dedicada a um público de maior idade.
E sempre tenha cuidado com quem senta mais distante. Por causa das reflexões, o volume em partes do recinto mais distantes das caixas pode ficar muito alto, e excesso de graves provoca perda de inteligibilidade.
Que os sons graves são bons, são! Mas cuidado para o “pancadão” não dar uma “surra” nos ouvidos do pessoal.

Fonte: http://qgdaluz.com.br/Apostilas%20e%20Cursos%20de%20%C3%81udio%20Profissional/Som%20grave.%20Como%20equalizar.pdf

 
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Publicado por em Fevereiro 5, 2013 em Curiosidades

 

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